Por Sérgio Oliveira
O Manifesto contou com a segurança reforçada da Polícia Militar. O protesto fez parte da Jornada Nacional de Luta Camponesa. Conforme Valmir José, coordenador do MPA, a manifestação ocorreu em 17 estados do Brasil.
Na quarta-feira, 30, as importantes rodovias do Estado ficaram semelhantes a festa junina – muito fogo queimando. Cerca de 3.500 manifestantes do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) ‘promoveram’ protestos fechando a BR 101 em São Mateus, na altura do km 66, em frente ao escritório da Petróbras, a BR 262, no Trevo de Domingos Martins, a rodovia Colatina no trevo de Pancas e a rodovia estadual que liga Bom Jesus do Norte a São José do Calçado.
Em São José do Calçado o tráfego foi interrompido causando congestionamento por toda a rodovia. Somente ambulâncias e carros de polícia passaram no bloqueio. O Comandante da 3ª Companhia do 3º Batalhão do Caparaó, Flávio Zucoloto e 50 policiais fizeram a segurança do dia 'D'. A rodovia foi liberada às 12h30.
Mais de 500 pessoas participaram do Manifesto que começou às 6h30 da manhã, na estrada que liga São José do Calçado a Bom Jesus do Norte, a ES 181. Os agricultores reivindicam a recuperação de um trecho da rodovia, que está fechado desde 5 de fevereiro de 2007, quando um barranco desabou e matou quatro pessoas.
O agricultor Aristeu Braz disse que a interdição do trecho prejudica o escoamento da produção e que em dias de chuva, até o transporte escolar fica comprometido, pois é preciso utilizar um desvio, de terra de chão, percurso difícil e 3 quilômetros mais extenso, alegando que todos padecem muito com essa situação.
“E o pior, eles estão dizendo que só vão asfaltar em 2013. A gente não pode esperar", artecou.
Muitos alunos ficaram revoltados por ter perdido a aula devido o manifesto, dizendo que o alvo de manifesto deveria ser em um outro lugar.
"Fazem promessas para tudo que lado. Ai,nós que não temos nada com isso, pagamos o preço. Que façam isso na porta da casa do Governador. De promessas o inferno está repleto", disse um estudante.
De acordo com o coordenador do MPA, Valmir José, o protesto faz parte da Jornada Nacional de Luta Camponesa, manifestação que ocorre em 17 estados do Brasil. Ele relata que os pequenos agricultores reivindicam o direito de vendas dos produtos da agricultura camponesa, melhor acesso à água, crédito agrícola e reforma agrária, pedindo melhorias nas expectativas dos pequenos agricultores. A manifestação ainda serve para perpetrar algumas denúncias, como crimes ambientais na zona rural, do tipo pulverização aérea e o uso em excesso de agrotóxicos.
Valmir assevera que o Governo do Estado não desenvolve políticas públicas para os pequenos agricultores, priorizando os empresários do agronegócio, esquecendo dos pequenos agricultores.
“E nós somos responsáveis pela maior parcela da produção de alimento para o Estado. Além disso, nada é feito contra o uso abusivo de agrotóxicos”, enfatiza.
Por volta das 11h50, o MPA encerrou a manifestação e liberou as rodovias. Porém, o movimento avisou que de acordo com o resultado das audiências nacionais que ocorrem em Brasília, novamente as rodovias poderão ser fechadas no transcursar da semana.
Banco/prefeitura
Em São José do Calçado, após as queimas de pneus e muita fumaça no asfalto, os manifestantes ‘concentraram-se defronte à Agência do Banestes e a Prefeitura. Cerca de 50 policiais ficaram de plantão, uma vez que a manifestação foi pacifica.
Razão
Moradores de São José do Calçado guardam no armário de suas lembranças fatos tristes como veículos quebrados devido aos buracos, e amigos e parentes que tiveram suas vidas ceifadas por acidentes.
Há mais de 40 anos os moradores lutam pelo asfaltamento da estrada. A via motivo ‘X’ da questão foi palco de uma tragédia. Em cinco de fevereiro de 2007, quatro pessoas ficaram soterradas após desmoronamento de terras, sendo que os últimos corpos foram localizados no dia 11. Entre as vítimas estavam a professora Eulália de Paula Almeida, 55 anos, e Claudete Cusino, 21, - noiva de Paulo Capetine -, que também morreu soterrado.
A professora Eulália de Paula perdeu a vida em um trecho da estrada que liga Calçado a Alto Calçado.
Depois da tragédia um desvio foi criado para que os moradores pudessem passar e escoar a produção rural.
Seag
A Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag) disse em nota que mantém agendas constantes com os movimentos sociais e que as ações coordenadas pelo sistema Seag, que incluem o Incaper, o IDAF e a Ceasa, são voltadas principalmente para a agricultura de base familiar. Enfatiza ainda que somente com o programa ‘Vida no Campo’, que é específico para a agricultura familiar, de 2011 a 2014 serão investidos R$ 2.5 bilhões em 13 projetos nas áreas de infraestrutura produtiva, comercialização, assistência técnica, crédito rural, acesso a terra, habitação e capacitação, uma das maiores iniciativas do Brasil.
Propende fortalecer mais a agricultura familiar e gerar mais renda e qualidade de vida para os espírito-santenses que vivem no campo.
Com o projeto de Habitação Rural foram concluídas 1884 moradias para as famílias de pequenos agricultores. Outras 306 estão em construção e está em andamento a estruturação de outro projeto para a construção de mais 1.5 mil casas até 2014, aprimorando a infraestrutura e as condições de trabalho dos pequenos agronômicos.
Ainda conforme a nota, a Seag investiu nos últimos meses R$ 20 milhões na construção de edificações, repasse de máquinas e equipamentos e outros diversos implementos para uso direto do agricultor familiar e pescador artesanal em todas as regiões do Estado. Quanto às denúncias, a Seag ressalva que no Espírito Santo a legislação ambiental é seguida e cumprida com rigor pelos órgãos de orientação e fiscalização.